quinta-feira, 28 de abril de 2011

Artigo de Ricardo Gaefke

Não costumo escrever sobre Português, pois não acho que seja obrigatório para concurseiros, mas sim para brasileiros. Mas hoje de manhã, tomando café na padaria, vi este erro no apoio de prato (sei lá como chama ou se tem um nome). 

Leiam o que está escrito abaixo do prato. Começa no plural, mas no fim tem uma palavra no singular: o adjetivo atento. Tratando-se de amigos e clientes (plural), deveria haver concordância, flexionando-se o adjetivo atento.

O correto seria: “Esclarecemos aos nossos amigos e clientes que este local é de circulação pública, portanto solicitamos que fiquem atentos a seus pertences”.

Vejam esta explicação bem simples (e bacana) que achei na net:

Fonte: http://www.infoescola.com/portugues/adjetivo-simples/

http://ricardogaefke.blogspot.com/2011/03/erro-comum-de-portugues.html

quinta-feira, 21 de abril de 2011


terça-feira, 19 de abril de 2011

Coloquemos o pronome em seu lugar!



                        Saber colocar os pronomes no lugar certo em relação ao verbo é uma das situações mais ruins do português. Chama-se colocação pronominal tal matéria.

                        O problema fica por conta de existirem várias as formas de uso: antes do verbo – próclise –, no meio do verbo – mesóclise –, depois do verbo – ênclise.

                        Tratarei, então, de alguns temas espinhosos do dia a dia acerca desse assunto.

                        Vamos às frases:

                        Me coloco à disposição para qualquer esclarecimento.

                        Não encaminhará-se nenhum documento em junho.

                        Em tratando-se de documentação, disponibilizaremo-la em breve.

                        O primeiro exemplo, muito comum em comunicações oficias (que acaba sendo uma expressão prolixa, pois, por ser servidor, está-se sempre à disposição), esteve presente no Fantástico, com Max Gehringer, quando da confecção de um curriculum.

                        O erro está em que – desculpe o jargão, depois o corrijo – não se começa frase com o pronome átono. Essa é a regra que se encontra nas gramáticas. Eles dizem ser mais fácil de se entender. Porém, a realidade está no fato de que, para um pronome estar antes do verbo, ele precisa de algo que o puxe, uma palavra atrativa, um fator de próclise. Estando no começo da frase, esse fator não existe, causando o erro.

                        Portanto, a frase correta é: Coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento.

                        Na dúvida:  Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Contudo, bom mesmo é nem usar essa expressão. Tenha certeza de que todos que receberão seu documento – seja ele um ofício ou mesmo um curriculum – procurarão você se houver qualquer questionamento a fazer.

                        Na segunda sentença, o equívoco está no fato de que uma palavra negativa funciona como uma atração, um fator de próclise, portanto puxa o pronome para si. Na verdade, o fato de a palavra negativa ser um advérbio é o que a torna um fator de próclise.

                        Portanto, a frase estaria correta se escrita: Não se encaminhará nenhum documento em junho.

                        Pode até surgir uma dúvida: e o verbo no futuro não me obriga a usar mesóclise, o pronome no meio do verbo?

                        Olha só: para haver mesóclise, não pode haver fator de atração, pois assim, por razões óbvias (a atração do pronome), teremos de escrever em próclise. Agora, sem o ‘Não’, a frase ficaria assim: Encaminhar-se-á o documento em junho.

                        Muito bem! No terceiro momento, o equívoco se dá em dois momentos. No caso em que se tem na expressão ‘em+gerúndio’, deve usar a próclise. Agora, no caso em que se tem futuro no verbo e não há fator de atração, deve-se escrever em mesóclise – atente para o fato de que, no português do Brasil, não se tem na mesóclise algo bem visto, ou melhor, ‘bem usado’.

Portanto, a frase fica assim: Em se tratando de documentação, disponibilizá-la-emos em breve.

Fica a dica: na dúvida, sempre reescreva a frase de modo a que ela esteja correta. Pronto. Assim, escreve-se bem.

Prof. Diego Amorim

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Confiram os Cursos Modulares - Plêiades



Expressões femininas e a crase!


 
Que tal continuarmos a mexer com a tal da crase? Trataremos, então, da crase nas expressões femininas, ou seja, nas locuções femininas.

Muitos autores bons dizem que a crase em expressões femininas não ocorre em todas essas expressões, mas somente em alguns casos em que se tenha ambiguidade. Porém, para não confundir você, nem sequer comentarei sobre esses autores.

Veremos mesmo a opinião, hoje, da maioria dos autores sobre esse fenômeno. O último dos Moicanos a aderir a essa ideia foi o professor Sérgio Nogueira. Assim com ele, já falávamos disso há mais de dez anos Adriano da Gama Kury, Sacconi e eu.

Vamos lá! TODAS as expressões femininas levam acento de crase. Isso mesmo: TODAS! Basta ser feminina para que aconteça a crase na expressão. Por quê? Vamos lá de novo! Crase é a junção de dois ‘a’, portanto A + A = À. Sendo assim, as expressões femininas devem possuir dois ‘a’, e possuem!

Por ser expressão, já leva a preposição A; por ser feminina, possui o outro A. A junção dos dois forma a crase, devendo ser acentuado o A: À.

Ex.:     Às vezes, precisamos de ajuda.

Não se vive às custas dos outros.
           
Você fica à espera de um príncipe encantado, à procura de alguém especial?
            Comemos arroz à piamonteza, bife à parmegiana, bacalhau à Zé do Pipo e à Gomes de Sá.
           
A sobremesa será à Diego.
           
            Pagaremos tudo a prazo, pois à vista ainda não vale a pena.

            Ela cheira à gasolina.(com crase, representa modo como ela cheira – ela deve ter um Fusca! Rs) Ela cheira a gasolina.(sem crase, ela cheira a gasolina diretamente – ela deve ser drogada! Rs)

Vamos aos possíveis questionamentos!?

·         Por que ‘a prazo’ não tem ‘o’, artigo de prazo, e o ‘à vista’ tem o ‘a’, artigo de vista?

Porque vista é feminino e recebe o ‘a’ obrigatoriamente. Assim como no plural sempre se tem o ‘as’, no singular também: às vezes, às pressas, às claras, às escuras, à vista, à noite, à tarde.

·         Por que ‘à Diego’ leva o acento de crase se ele é masculino?

Porque aqui se possuem dois ‘a’. Já ouviram falar da expressão A LA? Pois bem, essa expressão latina veio para as línguas neolatinas como A, preposição, e o LA, artigo. Porém, no português, o La se transformou em A, dando as condições para a crase. Sendo assim, sobremesa à Diego (= a La Diego, à maneira/moda do Diego). Por isso, a expressão ‘à moda de’ pode ser usada para saber se há crase ou não nas expressões em que ela faça sentido.

Chega! No próximo miniartigo trataremos de outro assunto.

Prof. Diego Amorim