quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A nível de ou em nível de? Qual o correto?


 

 

 

 

      Para o português, nenhuma delas está correta. Na linguagem coloquial, o uso dessas expressões é até aceito. Mas não nos esqueçamos de que a língua é um cruel e eficaz nivelador social. Não se arrisque a passar por constrangimentos nos mais variados ambientes.

 

      Em nível de capital, estamos mal. Nessa frase, não há motivo para se escrever assim. Temos: Em termos de capital, estamos mal. Como capital, estamos mal. Em relação a capital, estamos mal. A respeito de capital, estamos mal.

 

      Quando usamos ‘a nível de’, trazemos do francês essa herança. Não se deve usar tal expressão no sentido de ‘em âmbito’, ‘a respeito de’.

 

      Porém, você sabia que pode-se usar ‘ao nível de’ quando se pretende falar ‘ à mesma altura’?

 

      Posso dizer que quem mata está  ao nível de  quem rouba e este está  ao nível de  quem mente.

 

      Quando usamos ‘em nível de’ com o sentido de ‘de âmbito’, porém, temos uma frase aceita na norma culta. Assim: A pesquisa será aplicada em nível de ‘chão de fábrica’.

 

      A conclusão a que temos todos de chegar é a de que as expressões por si não estão erradas. Porém, o uso em demasia pelos falantes e meios de comunicação fez com que se reparasse na norma culta. Para que usar tais expressões se podemos e temos no português variadas outras que detêm o mesmo sentido?

 

      Portanto, prefira ‘no que concerne’, ‘quanto a’, ‘em relação a’, e tantas outras.

 

Prof. Diego Amorim.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Expressões femininas e a crase!


 

 

Que tal continuarmos a mexer com a tal da crase? Trataremos, então, da crase nas expressões femininas, ou seja, nas locuções femininas.

 

Muitos autores bons dizem que a crase em expressões femininas não ocorre em todas essas expressões, mas somente em alguns casos em que se tenha ambiguidade. Porém, para não confundir você, nem sequer comentarei sobre esses autores.

 

Veremos mesmo a opinião, hoje, da maioria dos autores sobre esse fenômeno. O último dos Moicanos a aderir a essa ideia foi o professor Sérgio Nogueira. Assim com ele, já falávamos disso há mais de dez anos Adriano da Gama Kury, Sacconi e eu.

 

Vamos lá! TODAS as expressões femininas levam acento de crase. Isso mesmo: TODAS! Basta ser feminina para que aconteça a crase na expressão. Por quê? Vamos lá de novo! Crase é a junção de dois ‘a’, portanto A + A = À. Sendo assim, as expressões femininas devem possuir dois ‘a’, e possuem!

 

Por ser expressão, já leva a preposição A; por ser feminina, possui o outro A. A junção dos dois forma a crase, devendo ser acentuado o A: À.

 

Ex.:      Às vezes, precisamos de ajuda.

 

Não se vive às custas dos outros.

           

Você fica à espera de um príncipe encantado, à procura de alguém especial?

            Comemos arroz à piamonteza, bife à parmegiana, bacalhau à Zé do Pipo e à Gomes de Sá.

           

A sobremesa será à Diego.

           

            Pagaremos tudo a prazo, pois à vista ainda não vale a pena.

 

            Ela cheira à gasolina.(com crase, representa modo como ela cheira – ela deve ter um Fusca! Rs) Ela cheira a gasolina.(sem crase, ela cheira a gasolina diretamente – ela deve ser drogada! Rs)

 

Vamos aos possíveis questionamentos!?

 

  • Por que ‘a prazo’ não tem ‘o’, artigo de prazo, e o ‘à vista’ tem o ‘a’, artigo de vista?
     
    Porque vista é feminino e recebe o ‘a’ obrigatoriamente. Assim como no plural sempre se tem o ‘as’, no singular também: às vezes, às pressas, às claras, às escuras, à vista, à noite, à tarde.
     
  • Por que ‘à Diego’ leva o acento de crase se ele é masculino?
     
    Porque aqui se possuem dois ‘a’. Já ouviram falar da expressão A LA? Pois bem, essa expressão latina veio para as línguas neolatinas como A, preposição, e o LA, artigo. Porém, no português, o La se transformou em A, dando as condições para a crase. Sendo assim, sobremesa à Diego (= a La Diego, à maneira/moda do Diego). Por isso, a expressão ‘à moda de’ pode ser usada para saber se há crase ou não nas expressões em que ela faça sentido.
     
    Chega! No próximo miniartigo trataremos de outro assunto.
     
    Prof. Diego Amorim

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Crase: bela ou fera?


 
 
      A crase é assim algo que nos deixa sempre na dúvida quanto a sua aparição. O acento indicativo de crase (`) é um terror. Porém, não tão alarmante assim quando se sabe de uma regrinha básica – e única – para que seu uso seja rápido, indolor e correto.
 
      Trata-se de sabe encontrar dois ‘a’ seguidos na frase. Parece uma visão simplista – como dirão meus colegas –, porém sua essência é essa: a junção de dois ‘a’ – a + a = à. Basta saber disso que se obtém sucesso no julgamento de seu uso.
 
      Sendo assim, resta-nos saber diferenciar uma preposição de um artigo ou pronome., pois saberemos exatamente quais palavras pediram esses ‘a’.
 
      Vejamos:
 
  • o ‘a’ será preposição, quando um verbo ou um nome solicitarem sua presença para que se unam elementos oracionais. Ex.: quem é apto é apto A; quem se refere se refere A.
  • o ‘a’ será artigo, quando determinar o substantivo, estiver ligado a ele. Ex.: A questão é essa.; Ela fez A medida certa.
  • O ‘a’ será pronome, quando substituir um substantivo, estiver no lugar de um nome. Ex.: Ela é igual À (= aquela, = “menina”) que eu vi na rua.
 
      Agora que sabemos diferenciar os ‘a’, vamos às análises:
 
Fomos (a+a) à festa ontem.
 
Referia-me (a+as) às pessoas de bem.
 
Chegamos (a+ ?) a uma cidade desconhecida.
 
Chegaremos (a+?) a casa mais cedo.
 
Chegaremos (a+a) à casa de vinhos.
 
Visitei (?+a) a casa de vinhos.
 
      Em: “Há ainda duas maneiras de se tornar príncipe, que não podem ser atribuídas exclusivamente à sorte ou ao merecimento.” Cespe/UnB
 
      Pode-se retirar o acento de crase, pois quando o usamos, indicamos uma sorte específica, determinada pelo artigo A; quando não o usamos, indicamos que se diz de uma sorte qualquer, generalizada, sem a presença de A.
 
      Porém, deve-se ter o cuidado de também se retirar o artigo O de ‘merecimento’ para se indicar a coerência das ideias apresentadas com os dois elementos de referência enumerativa, assim se preservam o sentido e a correção do período.
 
     
Na próxima dica, veremos mais nuances do uso desse sinal.
 
Prof. Diego Amorim

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

E AÍ? VAMOS ESTUDAR?

"Cambadinha",

      É assim, carinhosamente, que chamo a atenção de meus alunos em sala de aula. De verdade que é de forma carinhosa! Não poderia, então, começar este blog, sem este vocativo!

      Seja bem-vindo! Este blog tem a intenção de te ajudar nas questões mais loucas da língua portuguesa! Os que gostam dela se dão bem ao analisar as questões de concurso e de vestibulares; porém os que não são tão familiarizados com as nuances da língua penam para entender seus mecanismos, suas ligações, seus nomes.

      Se é para ajudar você, precisarei de você para que me pergunte nas redes sociais, no e-mail, ou mesmo por aqui nos comentários abaixo, porque assim poderemos construir juntos o conhecimento necessário para passar nas provas.

      As perguntas podem ser de:

# GRAMÁTICA
# TEXTO
# REDAÇÃO OFICIAL
# REDAÇÃO DISCURSIVA

      Sei que você ficará tentado ou tentada a me perguntar um monte de coisas que são de curiosidades da língua, pode fazer! A ênfase sempre será para concursos, mas não deixarei de responder a todos.

      Seguem as redes sociais em que podem ser feitas as perguntas:

@professordiego: twitter / instagram / periscope / snapchat


Diego Amorim: facebook


Gramaticalmente,


Diego Amorim